Habitação em Portugal 2026: Preços, Crédito e Euribor, O que fazer agora?
Preço médio das casas já ultrapassa €3.100/m² em 2026. Banco de Portugal vai apertar o crédito. Euribor voltou a subir. Saiba o que fazer para proteger as suas finanças.
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Habitação em Portugal 2026: Preços a Subir, Crédito a Apertar e Juros Imprevisíveis
O preço mediano das casas em Portugal ultrapassou os €3.100 por metro quadrado. A mão de obra para construir está a encarecer mais de 8% ao ano. O Banco de Portugal está a preparar regras mais apertadas para a concessão de crédito. E a Euribor, depois de anos a descer, voltou a subir.
Se tem crédito habitação ou está a pensar comprar casa, o que se passa no mercado imobiliário português neste momento afeta diretamente o seu bolso. Neste artigo explico o que está a acontecer, o que pode mudar nos próximos meses, e o que pode fazer agora para proteger as suas finanças.
Qual é a situação real do mercado imobiliário em Portugal em 2026?
Antes de falar de crédito e Euribor, é preciso perceber uma coisa: a crise da habitação em Portugal não vai ser resolvida nos próximos dois anos.
Segundo um investigador da Universidade Nova de Lisboa, as medidas de política de habitação, como nova construção pública, incentivos ao arrendamento ou programas cooperativos só têm impacto a médio e longo prazo e demoram quatro a seis anos a produzir efeitos visíveis.
E os dados do INE confirmam que o problema é real:
Em 2025, o preço mediano das casas transacionadas subiu 16,8% face ao ano anterior, atingindo €2.076/m² — um máximo histórico desde 2019
No quarto trimestre de 2025, a aceleração foi ainda maior: 17,5%
Em janeiro de 2026, o metro quadrado nos preços pedidos chegou aos €3.047; em março já estava nos €3.107
O desequilíbrio entre salários e preços das casas é cada vez mais acentuado. Com um salário médio líquido de €1.266 mensais em 2024 e avaliações bancárias medianas a rondar os €1.721/m², precisaria de 90 meses de salário para comprar 50 metros quadrados em Lisboa — mais do que duplicou face aos 61 meses de 2011.
Porque é que os preços das casas em Portugal não param de subir?
Em 2024, foram construídas apenas 27.000 casas novas em Portugal. No mesmo ano, realizaram-se 170.000 vendas. No início dos anos 2000, construíam-se mais de 113.000 casas por ano.
O problema não é só a falta de construção. É que o que foi construído nos últimos anos foi direcionado para o segmento de luxo. E construir ficou muito mais caro: em fevereiro de 2026, o índice de custos de construção de habitação nova subiu 4,7% face ao mesmo mês do ano anterior, com o custo da mão de obra a crescer 8,2%. Portugal foi o 4.º país da União Europeia com maior aumento dos custos de construção em 2025.
Portugal tem, sistematicamente, uma das maiores pressões sobre a habitação em toda a União Europeia: atravessou uma pandemia, uma crise inflacionista e uma subida histórica das taxas de juro, e os preços subiram em todas estas fases.
O Banco de Portugal vai mesmo apertar as regras do crédito habitação?
Aqui há uma novidade importante que pode afetar diretamente quem quer comprar casa.
O Banco de Portugal está a preparar alterações às regras de concessão de crédito habitação, com possíveis mudanças nos rácios usados pelos bancos para calcular a taxa de esforço das famílias. Segundo o Jornal de Negócios, esta decisão surge numa altura em que o endividamento das famílias está a aumentar e após o Governo ter anunciado um segundo reforço da garantia pública para jovens até 35 anos, que passou de €1.550 milhões para €2.300 milhões.
O motivo de preocupação do regulador é claro: mais de 42% dos créditos para compra de casa por jovens em 2025 foram feitos ao abrigo desta garantia pública, e a proporção de mutuários classificados como risco elevado está a crescer.
O FMI também se pronunciou sobre este tema, concluindo que os apoios aos jovens: isenção de IMT e Imposto de Selo e garantias públicas "visam melhorar a acessibilidade, mas contribuem para o agravamento dos desequilíbrios", ao estimular a procura sem resolver o problema da oferta.
Nota: Se está a planear pedir crédito habitação nos próximos meses, pode estar a entrar num período de critérios mais exigentes. Vale a pena antecipar a análise da sua situação financeira: rendimentos, taxa de esforço e rácio de financiamento. A nossa análise é gratuita e entregamos o resultado em 24 a 48 horas.
Se as regras apertarem, os bancos terão de ser mais conservadores na avaliação da capacidade de pagamento. Na prática, isso pode significar:
Montantes de crédito aprovados mais baixos face ao valor do imóvel
Exigência de entrada própria maior em alguns casos
Análise mais rigorosa da taxa de esforço, especialmente com cenários de subida de juros
A Euribor voltou a subir, o que significa para a sua prestação?
Depois de anos a descer a Euribor chegou a 4% em 2023 e recuou para perto de 2% no final de 2024, a trajetória de descida foi interrompida.
Em março de 2026, os juros da habitação subiram para 3,088%, a primeira subida em dois anos. O principal fator por detrás desta mudança é o conflito no Médio Oriente, que está a aumentar a incerteza nos mercados e a pressionar de novo as taxas de juro de referência.
Quem tem crédito habitação com taxa variável indexada à Euribor pode ver a prestação subir na próxima revisão do contrato.
Nota: Se o seu contrato de crédito prevê um spread superior a 1,2%, é altura de renegociar. Com facilidade encontrará propostas mais competitivas no mercado. E se a sua prestação já ultrapassa 35% do rendimento mensal disponível, este é um sinal de alerta claro.
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Qual a diferença entre spread e Euribor e qual posso controlar?
A taxa de juro do crédito habitação tem duas componentes:
Euribor — taxa de referência do mercado interbancário europeu, que sobe e desce com as decisões do BCE. Está fora do seu controlo.
Spread — margem fixada pelo banco aquando da contratação. É negociável.
Se renegociar o spread agora, reduz uma das duas componentes da sua taxa de juro e o benefício mantém-se independentemente de para onde a Euribor vá. Como renegociar:
Verifique o spread contratado e há quanto tempo está com o banco
Peça uma simulação
Compare com propostas de outros bancos, a transferência de crédito é um direito legal
Negoceie com base nessas propostas, a maioria prefere ceder margem a perder o cliente
Além da renegociação do spread, pode também ponderar a mudança para uma taxa mista ou fixa, que oferece mais previsibilidade especialmente se o cenário de subida de juros se prolongar.
Tem crédito habitação com spread acima de 1,2%?
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O que esperar do mercado imobiliário em Portugal até ao final de 2026?
As perspetivas dos especialistas do setor apontam para uma possível desaceleração na subida dos preços ao longo de 2026, mas sem queda. A procura continua elevada, a oferta continua escassa, e a construção continua cara.
O Governo tem medidas em curso: incentivos fiscais à construção, redução do IVA para 6% na construção e reabilitação para arrendamento, reforço da garantia pública para jovens. Os especialistas estão otimistas, mas cautelosos: é preciso esperar para ver se as medidas saem do papel.
O que já sabemos é que a solução não virá rapidamente. E que, entretanto, as famílias portuguesas têm de navegar um mercado caro, um crédito mais exigente e uma Euribor imprevisível.
O que deve fazer agora: resumo prático
Se tem crédito habitação:
Reveja o spread contratado — se for superior a 1,2%, renegoceie
Calcule a sua taxa de esforço atual e simule o que acontece com uma subida de 0,5 pontos percentuais na Euribor
Pondere a mudança para taxa mista ou fixa se a imprevisibilidade o preocupa
Se está a pensar comprar casa:
Antecipe a análise da sua situação financeira antes que as regras de crédito apertem
Não esqueça os custos associados: IMT, Imposto de Selo (salvo isenções para jovens), avaliação bancária, escritura
Pense no médio prazo: os preços podem abrandar a subida, mas dificilmente vão cair de forma significativa no curto prazo
Se ainda não tem poupanças para a entrada:
O mercado imobiliário não vai a lado nenhum tão cedo, o tempo que usa para poupar é tempo útil
Uma entrada própria sólida, idealmente 20% a 30% do valor do imóvel, muda completamente as condições de crédito que consegue negociar
Perguntas frequentes sobre habitação e crédito em Portugal 2026
Quanto custa o metro quadrado de uma casa em Portugal em 2026?
Em março de 2026, o preço médio pedido por metro quadrado em Portugal atingiu os €3.107. No quarto trimestre de 2025, o preço mediano das casas transacionadas subiu 17,5%, chegando a €2.076/m², um máximo histórico. Em Lisboa e concelhos limítrofes, os valores são significativamente mais elevados.
A Euribor vai continuar a subir em 2026?
Em março de 2026, a Euribor subiu para 3,088%, a primeira subida em dois anos, impulsionada pela incerteza geopolítica e pressão inflacionista. O cenário mais provável é de Euribor estável a ligeiramente mais alta a curto prazo, mas com elevada incerteza. Quem tem crédito variável deve simular o impacto de uma subida de 0,5 pontos percentuais.
Vale a pena renegociar o spread do crédito habitação em 2026?
Sim, especialmente se o spread atual é superior a 1,5%. Reduzir o spread é a única componente da taxa de juro que está ao alcance do cliente. A Decisões e Soluções Colinas do Cruzeiro faz esta análise gratuitamente e negocia com vários bancos em simultâneo, gerando poupanças médias de €150 a €300 por mês.
Os preços das casas em Portugal vão baixar em 2026?
Os especialistas apontam para uma desaceleração na subida dos preços, mas não para uma queda. Em 2024 foram construídas apenas 27.000 casas novas face a 170.000 vendas. Enquanto a oferta não acompanhar a procura, os preços dificilmente recuam de forma significativa.
Especialista em Intermediação de Crédito na Decisões e Soluções Colinas do Cruzeiro, intermediário certificado pelo Banco de Portugal (registo nº 7338) e pela ASF (nº 409311648/3).
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomar qualquer decisão financeira, considere consultar um dos nossos gestores de crédito para avaliar a sua situação individual. O nosso serviço é gratuito e sem compromisso.
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